A MISERICÓRDIA DO SENHOR do “Diário
da Alma” do BEATO JOÃO XXIII
O PAPA BOM! |
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“Quem poderá medir a profundidade da Tua Misericórdia?
Exalte, pois, quem quiser, os outros atributos Teus, elogie a Tua sabedoria,
louve o Teu poder, que eu, pelo meu lado, não cessarei
nunca de cantar as Tuas Misericórdias. CANTAREI ETERNA-MENTE
A MISERICÓRDIA DO SENHOR (Sl. 88, 2).
Não estará cheia a terra, ó dulcíssimo
Jesus, da Tua Misericórdia?
A terra está cheia da bondade do Senhor (Sl.
35, 6).
E a Tua Misericórdia não estará no Céu
estendendo-se sobre todas as Tuas outras obras?
A Tua bondade, Senhor, chega até aos céus, a Tua fidelidade,
até às nuvens (Sl. 35, 6).
E não és Tu o Pai das misericórdias e o Deus
de toda a consolação? (2Cor.
1, 3).
Não disseste Tu que não queres o sacrifício,
mas a misericórdia? Misericórdia quero e não
sacrifício.
E eu, miserável pecador, não serei um prodígio,
um pupilo da Tua misericórdia?
Sou a ovelha perdida, e Tu és o Bom Pastor
que, solícito, corres ansiosamente à minha procura,
me encontras por fim e, depois de mil carícias, me colocas aos
ombros e me levas para o redil.
Sou aquele infeliz que, no caminho de Jericó, foi assaltado pelos
ladrões, espancado, ferido, despojado das suas vestes
e reduzido à ínfima condição; e Tu,
o compassivo samaritano que me devolveu a vida, derramou sobre
mim o vinho, isto é, me fez compreender as terríveis verdades
que me sacudiram o torpor, me ungiu com o bálsamo das consolações,
em suma, me fez participantes das liberalidades do Seu bom coração.
Eu sou, infelizmente, o filho pródigo
que dissipou todos os bens, os dons naturais e sobrenaturais, e me vi
reduzido à condição mais lamentável, por fugir
para tão longe de Ti, que és o Verbo por quem todas as coisas
foram feitas, sem o qual todas as coisas são más, porque
nada são.
Tu és o Pai amorosíssimo que me recebe
com regozijo quando, caindo na conta do meu erro, decido voltar para a
Tua casa, procuro novamente refúgio à Tua sombra, nos Teus
braços. Recebes-me novamente como Teu filho, admites-me novamente
à Tua mesa, à Tua felicidade, chamas-me nova-mente para
participar na Tua herança. Que digo?
Eu sou o pérfido discípulo que Te atraiçoou,
o presunçoso que te negou, o vil que Te escarneceu, o cruel que
Te coroou de espinhos, Te flagelei, Te carreguei com a cruz, insultei
as Tuas dores atrozes, Te dei uma bofetada, Te dei a beber fel e vinagre,
Te trespassei o coração com uma fria lança. Tudo
isto e muito mais, fiz com os meus pecados. Oh, que pensamento tão
humilhante para mim! Pensamento que, à viva força, deve
arrancar dos meus olhos as mais amargas lágrimas de arrependimento.
Tu és o meu bom Jesus, o mansíssimo cordeiro
que me chamou Seu amigo, olhou para mim, cheio de amor, no meu pecado,
me abençoou quando o amaldiçoava; na cruz, intercedeste
por mim, e, do coração traspassado, fizeste brotar um manancial
de sangue divino que me lavou da minhas imundícies, purificou a
minha alma das minhas iniquidades; me arrancaste à morte morrendo
por mim e, vencendo a morte, me adquiriste a vida, me abriste o paraíso.
Oh, amor de Jesus! Por fim, esse amor venceu, e estou
contigo, meu mestre, meu amigo, meu esposo, meu pai: eis-me aqui, junto
do Teu coração.
Que queres, pois, que faça? Ia pelo caminho da iniquidade
e Tu deslumbraste-me com a Tua luz divina, como a Paulo, no caminho de
Damasco. Que hei-de fazer, Senhor? (Act. 22, 10). Ensina-me a Tua verdade,
o caminho que devo seguir. Mostra-me o caminho a seguir (Sl. 142, 8).
Abraçar-me-ei a Ti, amar-Te-ei com o
amor de Paulo, do Teu amado João, de todos os Teus santos: com
o amor de obras, com o amor que é forte como a morte. O quê,
o que poderia separar-me do Teu amor? Nem a fome, nem a pobreza, nem o
frio, nem as tribulações, nem os tormentos, nem a morte.
Quanta confiança tenho no auxílio da Tua graça, ó
meu Jesus! E entretanto, já que amando-me até ao fim te
esqueceste das minhas iniquidades e me chamaste para estar mais perto
de Ti, me quiseste Teu ministro, Teu íntimo familiar, despenseiro
dos Teus mistérios, e a isso me moves continuamente com as secretas
e dulcíssimas comunicações do Teu amor, com infindas
aspirações, com o mel e o néctar celeste das Tuas
consolações, que arda e se consuma inteiramente este meu
coração, em holocausto por Ti, sobre o altar do Teu sacratíssimo
Coração, que suspire sempre por Ti, Te procure, tenda para
Ti; que se revista do Teu espírito, espírito de sabedoria
e de entendimento, e se acenda também nos pecadores sentimentos
de conversão, de regresso a Ti, e que todos, acolhendo-nos à
sombra da Tua cruz adorável, POSSAMOS CANTAR PERENEMENTE
AS TUAS MISERICÓRDIAS!”
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