Tema de Reflexão
DEUS É AMOR E PERDÃO
É impossível dizer a Deus Pai o nosso “SIM”,
até ao fundo, se não vivermos na certeza que Ele É
AMOR E PERDÃO
O homem de hoje interroga-se com uma ansiedade e incerteza cada vez maior
sobre o sentido da pró-pria vida. O vazio interior no qual habitualmente
se encontra leva-o a duvidar da Vida Eterna e da mesma existência
de Deus!
Para um cristão praticante ou, mais ainda, para uma pessoa consagrada,
este problema não existe ou, pelo menos, não deveria existir.
De facto, o ter decidido oferecer a própria vida a Deus, com o
Baptismo ou a Vida Consagrada, significa ter descoberto o nexo, a ligação
que existe entre Deus e tudo quanto acontece na nossa vida, inclusive
o próprio mal, isto é, o próprio pecado.
Isto parece lógico, particularmente, repito, para os cristãos
ou consagrados.
Era assim que pensava um psicólogo, no princípio desta sua
actividade profissional, nos encontros de aggiornamento para estas classes
de pessoas.
Mas, grande foi a sua surpresa quando descobriu em muitas participantes
uma atitude de fundo relativamente a certas verdades absolutamente fundamentais,
como:
- A Paternidade e a Misericórdia de Deus
- O sentido da própria salvação
- A vida como dom do Pai
- A aceitação do próprio estado de “pecadores”,
etc.
Pareceu-lhe constatar que existe em tantos cristãos ou consagrados
uma ideia fria da vida, até, quase profana, apenas numa linha moralista-egoísta,
ou uma ideia de uma vida vivida quase numa desesperada procura de uma
santidade, entendida como um perfeccionismo absoluto (e, por isso, não
alcançável) ou vivida ainda numa crónica e também
desesperada lembrança dos próprios pecados, de cujo perdão,
no fundo, se duvidava.
Desta maneira, acontecia que Deus, no meio de tantas confusões
de ideias, era visto mais como um juiz severo, um juiz que perdoa dificilmente,
um juiz que tem exigências rígidas e não era visto
como um Pai que nos ama e pensa em tudo para nosso bem, exactamente como
Jesus no-Lo apresenta.
Para ver se estes sentimentos íntimos eram generalizados ou não,
foi feito um inquérito com este título:
A minha História de Salvação
O inquérito foi feito num encontro de cerca 700 participantes.
O Sr. Padre-psicólogo tinha desenvolvido os seguintes temas:
- A minha vida é um dom de Deus Pai!
- É Ele que guia e molda a minha vida para dar-me, nela,
a Sua salvação.
- Nada na minha vida acontece por acaso; tudo pode tornar-se sinal
do Seu amor e caminho para conhecê-Lo cada vez mais profundamente.
- Até os pecados, o meu pecado, entra nesta história
de salvação; o saber aceitá-lo, à luz
da fé, é fundamental para compreender o amor do Pai
e entrar na salvação de Cristo.
- E, assim, toda a minha vida (boa ou má) fala de Deus, é
revelação de Deus, é salvação
para mim e para os outros!
Todas as pessoas responderam ao inquérito!
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A primeira pergunta foi esta:
“Dá um olhar rápido à tua vida e procura
descobrir nela os diferentes momentos da tua pessoal história de
salvação.
Nunca pensaste que a tua vida é história sagrada? E que
tudo, mesmo tudo, na tua vida tem este sentido de sagrado?
As respostas que agora vamos considerar talvez traduzam
os sentimentos que andam, muitas vezes, no nosso espírito. Eis
algumas:
Uma pessoa de 53 anos:
“Nunca ninguém me falou destas verdades!”
Foi esta a resposta que deu a maior partes dos participantes.
Uma pessoa de 40 anos:
“Agora acredito que a minha vida é uma história sagrada;
mas levarei muito tempo para viver segundo esta fé, pois parece-me
não ser verdade, sendo tão bela como de facto é.”
Uma pessoa de 36 anos:
Revelou o que todas as pessoas sentiam; dizia:
“Isto dá todo outro sentido a nossa vida”
Mas, o ponto central do inquérito era tentar descobrir
como os participantes percebiam e viviam o sentido do pecado.
Isto é muito importante; de facto, quanta confusão há
em sentir-se pecadores e em captar, neste estado de pecadores, a Deus
como juiz rigoroso e severo!
É necessário, por isso, colocar o pecado pessoal e colectivo
numa visão salvadora da vida, onde o mesmo pecado pode tornar-se
“Feliz culpa” e, por isso, pode reconstruir, seguidamente
a nossa vida, porque, finalmente, reconduz para Deus e estimula a nossa
fome da misericórdia de Deus.
Há umas perguntas que poderíamos fazer a nós
próprios que lemos esta reflexão:
- “Há alguma coisa, na tua vida passada, que quererias esquecer,
que é para ti quase uma obsessão, que lembras como qualquer
coisa de absolutamente negativo, que nunca quererias ter feito, de que
sentes ainda tanta vergonha, da qual tens a impressão de não
estar ainda perdoada, que é um obstáculo para as tuas relações
com Deus?”
- “Nunca pensaste que esta “alguma coisa”,
mesmo que fosse um pecado, pode ser “salvado” e recuperado
e, até, tornar-se um momento positivo na história da tua
salvação?”
Respostas:
- A maior parte das pessoas responderam que quereriam esquecer o seu pecado.
- Outras diziam que sentiam ainda muita vergonha do seu pecado, ou que
sentiam o pecado como absolutamente negativo.
- Outras vivem ainda obsessionadas, até hoje, pelo seu pecado.
- Outras (ainda muitas) reconhecem que o seu pecado da sua vida passada
bloqueia, ainda hoje, o próprio relacionamento com Deus.
- Outras, finalmente, poucas numericamente, mas ainda demasiadas, tratando-se
de uma verdade de fé tão fundamental, temem não estar
ainda perdoadas.
Eis algumas expressões delas:
- Uma pessoa de 46 anos:
“Deus é um Juiz severo; devo lutar para esquecer isto!”
- 41 anos:
“A lembrança do meu pecado constitui um grande obstáculo
para as minhas relações com Deus.”
- 66 anos:
“Nunca me convenci que Deus perdoa facilmente, mas sim fazendo penitência”
- 63 anos:
“Sinto-me perdoada, mas não remida, porque o mal que eu pratiquei
deixou em mim alguma coisa de indelével”
- 47 anos:
“Não me convenço de ter sido perdoada por causa do
meu pouco arrependimento sobrenatural”
- 46 anos:
“Tenho consciência de ser um cúmulo de pecados graves
e não perdoados porque são graves, porque são muitos,
porque não tenho dor sincera”
- 40 anos:
“Nunca fui perdoada, porque nunca confessei o meu pecado”.
Ora, como é possível viver no meio de um tormento contínuo
pelas próprias infidelidades, vendo Deus só e sempre como
um Juiz implacável? Nestas pessoas falta uma boa formação
espiritual... Deus é Pai Bom e Misericordioso!
A segunda parte da pergunta que citamos chamava a atenção
sobre a possibilidade de assumir, com todos os acontecimentos da nossa
vida, também o pecado na nossa particular e pessoal história
da salvação.
As respostas indicavam que quase nenhuma pessoa tinha pensado no seu
pecado nesta perspectiva de salvação e que muitíssimas
julgavam esta nova ideia do pecado “Fantástica, maravilhosa,
capaz de libertar o espírito de inúteis angústias
e obsessões.”
Eis as respostas:
- Três quartos dos participantes disseram:
“Nunca tinha pensado nestas verdades que teriam trazido tanta serenidade
para mim e para os que se tivessem aproximado de mim. Nunca ninguém
m’as ensinou. Quanta luz recebi agora que nunca experimentara na
minha vida!”
- 63 anos:
“Compreendi-o somente hoje e foi para mim um momento de alegria
tão grande que me custa acreditar; parece-me ter nascido neste
momento!”
- 34 anos:
“Esta foi para mim uma dimensão nova, muito bela que me dá
muita paz, que me reconcilia com o meu passado.”
Mas, infelizmente, havia também quem se obstinava a não
querer ver de modo salvífico o seu pecado. Por exemplo:
- 42 anos:
“Não estou convencida de que o meu pecado possa ser salvo
e recuperado, porque recaio nele!”
- 40 anos:
“Não penso que a minha vida seja história de salvação,
porque, quando há uma ocasião, continuo a cometer o mesmo
pecado.”
N.B.: Aqui, como se vê, confunde-se a história
da salvação com a “impecabilidade” e então,
neste caso, é mesmo difícil compreender como se possa instaurar
uma justa relação com Deus e connosco mesmos.
- “Estás verdadeiramente convencida de ser pecadora?”
- “E o que produz em ti esta convicção: perturbação,
desgosto, angústia? Ou: confiança, serena aceitação
e certeza de ser amada por Deus?
Á primeira pergunta, claro, todas responderam estar convencidas
de ser pecadoras.
Mas, nas respostas à segunda pergunta, notava-se em muitas pessoas
o sentimento de perturbação, de desconfiança, de
tristeza, atitudes que manifestam mais um orgulho ferido do que o desgosto
de ter ofendido a Deus nosso Pai. Eis:
- 41 anos:
“ O sentir-me pecadora cria em mim um complexo de inferioridade
perante outra pessoa que julgo mais santa”
- 36 anos:
“Todas as vezes que caio num pecado, não é que sinta
desgosto por ter ofendido a Deus, mas é por me ver imperfeita ou
porque penso que as outras me vêem imperfeita”.
- 47 anos:
“Tenho receio que Deus já esteja farto de mim”.
Como vemos, aqui existe um sentimento de culpa são e outro neurótico,
segundo se olha para a própria vida como história de salvação
ou como uma sucessão fatalística de acontecimentos.
Tudo isto é impressionante; é realmente pena que, até
na vida de tantos bons cristãos (e consagrados), não se
experimente a bondade e a paternidade de Deus, fazendo do próprio
pecado uma barreira que nos separa inexoravelmente de Deus. E assim, da
não aceitação do nosso pecado, vem a não-aceitação
de nós mesmos, o olharmos para nós com olhar negativo e
a não-abertura para a esperança cristã.
Com estes sentimentos como poderíamos ser apóstolos e levar
os pecadores para o Coração de Cristo?
SIM, DE FACTO, É SÓ VIVENDO NA CERTEZA DE QUE DEUS
É AMOR E PERDÃO QUE SEREMOS FELIZES E LEVAREMOS OS NOSSOS
“IRMÃOS PRÓDIGOS” PARA A CASA DO PAI! ?
(de “Religiosi Oggi-Dehoniana”)
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