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Tema de Reflexão
O AMOR MISERICORDIOSO
1 - A Liturgia é muitas vezes um caloroso
convite à confiança no amor misericordioso de Jesus.
Assim, por exemplo, a Igreja, no princípio da Missa do IX Domingo
do Tempo Comum faz-nos rezar deste modo: «Olhai para
mim, Senhor, tende compaixão, pois vivo só e desamparado.
Reparai na minha miséria e sofrimento e perdoai todos os meus pecados».
Mas, como justificar tanta confiança em Deus, sendo nós
sempre uns pobres pecadores?
Esta justificação encontramo-la no Evangelho de Lucas 15,
1-10 que refere duas parábolas de que Jesus Se serviu a fim de
nos ensinar que jamais confiaremos demasiado na Sua misericórdia
infinita: a parábola da ovelha perdida e a dracma perdida.
Primeiro é-nos apresentado o Bom Pastor que vai
atrás da ovelha tresmalhada: é a figura de Jesus, descido
do Céu ( = O Verbo Encarnado - Deus que se
faz homem!) para ir à procura da pobre humanidade
perdida nos antros obscuros do pecado; para a encontrar, para a salvar
e conduzir novamente ao redil, Ele não hesita em enfrentar os sofrimentos
mais amargos e até a morte. «E, tendo-a encontrado, põe-na
sobre os ombros alegremente e, indo para casa, chama os seus amigos e
vizinhos, dizendo-lhes: «Congratulai-vos comigo porque encontrei
a minha ovelha que se tinha perdido».
É a história do amor de Jesus não só para
com toda a humanidade, mas com cada alma em particular; história
bem sintetizada na doce figura do Bom Pastor, sob a qual Jesus Se quis
apresentar. Pode dizer-se que a figura do Bom Pastor, tão amada
nos primeiros séculos da Igreja, equivale à do Sagrado Coração;
uma e outra são a expressão viva e concreta do amor misericordioso
de Jesus a convidar-nos a ir a Ele com plena confiança.
2 - «Digo-vos que haverá maior júbilo
no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa
e nove justos que não têm necessidade de penitência».
Com este pensamento, embora expresso de forma diversa, terminam as três
parábolas da misericórdia: a da ovelha perdida, a da dracma
perdida e a do filho pródigo. Esta insistente repetição
indica-nos o grande cuidado que Jesus teve em inculcar-nos um sentido
profundo da misericórdia infinita, misericórdia que contrasta
com a atitude dura e desdenhosa dos fariseus que murmuravam, dizendo:
«Este (Jesus) recebe os pecadores e come com eles». As três
parábolas são a resposta do Mestre à insinuação
maliciosa e mesquinha dos fariseus.
A nós, criaturas limitadas e espiritualmente tão curtas
de vista, não nos é fácil compreender a fundo este
inefável mistério; e não só nos é difícil
entende-lo a respeito dos outros, mas, mesmo quando se trata de nós
próprios. Contudo Jesus disse e repetiu: «Haverá
maior júbilo no céu por um só pecador arrependido
que por noventa e nove justos» e, com isto, quis
declarar-nos quanta glória dá a Deus a alma que, após
as suas quedas, volta para Ele arrependida e confiada.
O sentido destas palavras não se há-de aplicar somente
aos grandes pecadores, aos que se convertem do pecado grave,
mas também àqueles que se convertem dos pecados
veniais, que se humilham e depois se levantam das infidelidades
cometidas por fragilidade ou irreflexão.
Esta é a nossa história de todos os dias: quantas vezes
nos propusemos vencer a nossa impaciência, a nossa irascibilidade
ou susceptibilidade, e quantas vezes recaímos! Porém, se
reconhecermos humildemente o nosso erro e formos, com confiança,
«pedir perdão a Jesus, lançando-nos nos Seus braços,
Ele estremecerá de alegria e fará mais ainda: amar-nos-á
mais do que antes da nossa falta» (T.M.J. carta 231 e CL.).
Peçamos a Jesus, na Sagrada Comunhão, que nos faça
compreender os segredos do Seu infinito amor misericordioso.
(De “Intimidade Divina”, 2ª Ed. –
pág 813)
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