“Eis uma verdade que devemos considerar muito: Vós,
Senhor, quisestes ligar uma graça tão grande como
é a do perdão dos nossos pecados, merecedores do fogo
eterno, a uma condição tão simples como é
a de perdoarmos também nós. Mas que mais deverá
fazer uma pobre alma como a minha, que tão poucas ocasiões
teve para perdoar e tantas, pelo contrário, para ser perdoada?
Porém, Senhor, aceitai o meu desejo: parece-me que, para
obter o Vosso perdão, estarei pronta a perdoar tudo... Mas,
neste momento reconheço-me de tal maneira culpa-da aos Vossos
olhos, que penso tratarem-me bem aqueles que me injuriam.
Ó Senhor, tenho tão pouco para perdoar que me deveis
perdoar gratuitamente! Como nisto se manifesta bem a Vossa Misericórdia!
Mas haverá na minha companhia alguém que não
tenha compreendido esta verdade?
Se há, peço-lhe em vosso nome, Senhor, que se lembre
disto e não faça caso de certas miudezas a que chamam
injúrias E depois ainda nos atrevemos a pensar que fizemos
muito ao perdoar uma coisita destas. Finalmente, como se tivéssemos
feito algo, viremos diante de vós, Senhor, pedir perdão,
pois que também perdoamos!... Ah! Senhor meu, fazei-me entender
que não compreendemos nada e que as nossas mãos estão
vazias! Dignai-Vos perdoar-nos somente pela Vossa misericórdia”.
(Teresa de Jesus, “Caminho”, 36, 7 e
2-6 de “Intimidade Divina”, pág.1021- 2ª
Edição)
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